23 de dezembro de 2010

Feliz 2011

Ufa! Acabou. E cá estou eu novamente compartilhando este ano com vocês.
E que ano! Este reveillon passarei de branco. Paz, please!

Talvez meu principal aprendizado tenha sido jogar fora todas as planilhas e deletar o excel da minha lista de favoritos. A partir de agora, planejamento é dançar conforme a música.

Este ano meu coração apertou tantas vezes.
A começar pela adaptação da pequena na escolinha. Não, ela não ficou mal... ficou ó-t-i-m-a. Sem e apesar de mim. E lá estava eu, todos os dias às 16:58h na porta, esperando os longos dois minutos que faltavam para eu apertá-la e receber o maior e mais delicioso sorriso do mundo.
Mas dois meses depois, passei na UTI os piores dias da minha vida. Internar um filho é a dor mais forte que eu poderia imaginar existir. E nós, pais, vestimos uma armadura para sorrir, acalentar e tentar mostrar que está tudo bem, quando na verdade nosso coração está em frangalhos, vendo o serzinho que mais amamos ser cuidado de uma forma tão diferente da que cuidaríamos. Em hospital há pressa, há técnica, mas não há amor.
Passado o susto, com a pequena em casa, amada, beijada e ganhando montes de apertos e amassos, era hora do plano B, já que escola de novo, só com dois anos.
Só que o plano B, era babá, coisa que eu sempre fui ultra-hiper-mega contra. Mas como já venho mordendo a língua inúmeras vezes desde que me tornei mãe, assinei a carteira e treinei uma dita cuja que o tempo mostrou ser a pessoa mais pirada e mal-intencionada que já cruzou minha vida. E olha que em 2010 fiz 30 anos. E 360 meses já não é pouca história.

Pulando o capítulo delegacia, boletins de ocorrência, advogados e susto, muito susto, eis que mordi minha lingua novamente.
Sempre adorei criticar mulheres que paravam de trabalhar para serem mães em tempo integral. Que bela vida de dolce far niente, não? Não!
Filho precisa de mãe. E a minha estava precisando demais. Um pinguinho que recém apagava uma velhinha e passou por tanta coisa este ano.
Pára tudo que eu vou descer.
Trabalho a gente recupera. Vida profissional a gente retoma. Infância dos nossos filhos não. É agora. E passa muito rápido.
Tinha medo da nova descisão, mas estou feliz. E a Taly também. Em 2011 serei uma Nurit nova, que jogou fora esta história de ter que assumir mil papéis. Porque mil papéis a gente finge que assume e está sempre com a consciência pesada, sabendo que faltou um tanto aqui e outro tanto lá. Agora minha prioridade é cuidar do meu lar e dos meus amores.

Claro que em 365 dias acontece muita coisa, mas não é tudo que nos marca. E neste ano, compartilho com vocês o que me marcou e me mudou.
Como diz minha mãe, parceira especial e fundamental mais uma vez, neste ano loucura total, "na vida dá tempo pra tudo". E meu tudo agora é minha família.

Mais uma vez agradeço a você, meu grande amor, meu companheiro de vida, de sorrisos, lágrimas e de projetos. Be, te amo!

E assim, desejo que em 2011 possamos nos dedicar com amor a algum projeto especial. Eu escolhi o meu.

Feliz ano novo!

25 de novembro de 2010

Um lugar de mato verde

Quem me conhece sabe: sou fresca ao cubo.

Mas vim morar numa casa com muuuito verde e rodeada por terrenos mais verdes ainda, preservados pelo Ibama. Frequentemente sou visitada por lagartos enormes (pelo menos para mim, que até então tinha como referência as lagartixas), gambás, quero-queros e corujas.
Acho fofésimo, mas fecho a janela para não entrarem.
Até que resolvi dar naturalidade gaúcha à minha filha e criá-la em meio a todo este verde. Então, fecho a janela e ela grita "mama, api (abre): bichu". E se atira, sem medo, ri e bate papo com todos eles. Pisa na grama sem se importar com o que possa estar em baixo, sem nojo se a chuva tiver transformado a terra em barro, sem medo de ser feliz.

Fora da natureza, ela tem minha genética: detesta se sujar (tentei que ela não fosse assim, mas é sangue do meu sangue: só come com guardanapo para limpar a boca e engatinha recolhendo as sujeiras no chão "mama, cáca!"), mas este contato com a natureza acho maravilhoso.

Agora, quando bate a saudade das terras paulistas, penso na deliciosa infância que minha pequena está tendo e fico realizada.
Coloco ela para dormir feliz.
E vou correndo fechar as janelas.

5 de novembro de 2010

Se fosse bom, não era de graça

Minha pequena já está com um ano e cinco meses. Uma pequena mocinha. Fala tudo, entende tudo, meiga, carinhosa e fofa.
E as pessoas adoram perguntar "ela ainda não anda?".
Não, não anda. Vai andar, pode ter certeza.

E como se não bastasse a crítica, vem as sugestões. Sempre elas...
- Você já tentou dar andador?
- Você estimula?
- Você segura nos braços ou na axila?
Ah, esta maravilhosa enciclopédia que habita a mente alheia.

Estimulo sim, mas tenho a mais absoluta tranquilidade. Ela demorar para andar significa estar mais tempo no meu colo, mais tempo para eu curtir minha pequena mocinha.

Eu estou ótima. E ela também.

Mama´s SAP

Sempre fiquei intrigada com a tecla SAP que as mães tem.
Tenho um sobrinho que quando pequeno, falava palavras absolutamente ininteligíveis e lá vinha sua mãe "ele disse que quer água". Oi? Quando ele disse isso?
Ou era pura invenção, ou mais um daqueles mistérios que só a maternidade desvenda.

Hoje, alguns anos e uma filha depois, fico chocada como as pessoas não entendem as palavras claríssimas que a Taly fala.
Mama, ciá cau. Papau fofó. Ti aí. Não é absolutamente óbvio que ela disse que quer passear de carro, que a vovó mora em São Paulo e que o leite está ali?

Bom, para mim é.

7 de outubro de 2010

Profissão: mãe

Quando estava grávida, eu que sempre fui muito focada no trabalho, um tanto feminista na questão da nossa autossuficiência financeira, já fui à procura de um berçário para deixar a Taly.
A decisão pelo berçário era unânime aqui em casa e acabei optando por uma super bacana, com todos os pré-requisitos que esperávamos. A idéia era colocar a pequena já com quatro meses.

E então ela nasceu. E começou uma nova trajetória em nossas vidas onde a palavra 'planejar' adquiriu uma conotação um tanto mais etérea.

Com quatro meses ela era um pinguinho de gente. E calhou justamente numa época do ano em que meu trabalho era mais tranquilo. Resolvi esperar até os sete meses, quando ela era um pinguinho um pouco maior.
Já no berçário, começou a fase de todas as viroses do mundo. Ela ficava quatro dias bem e outros quatro doente. Com nove meses ela pegou uma bronquiolite fortíssima, com passagem pela UTI e tivemos que tirá-la do berçário. Para lá ela só volta após os dois anos.
Pânico. O trabalho urgia e promovi a moça que trabalhava em casa fazia um ano a babá. Para encurtar a história, a dita cuja surtou com direito a boletins de ocorrência, ameaças e advogado.

E assim, após muito pensar, tomamos uma decisão que antes parecia impensável para mim. Engaveto meu currículo por tempo indeterminado para tirar um 'período sabático' do trabalho, cuidar da minha pequena e do meu lar doce lar. Mais uma vez mordo a lingua, já que eu tanto criticava quem tomava esta decisão. Mas aprendi que criticar sem saber é prepotência pura.

Minha carreira espera. A infância da minha filha não. Ela precisa de mim agora. De amor de mãe, dos nossos princípios e cuidados.

E assim, inauguro - feliz da vida - uma fase deliciosa da minha vida. A da Nurit, mãe.

2 de setembro de 2010

Hoje... e amanhã

Sou uma pessoa extremamente ansiosa. Sempre vivi o hoje pensando no amanhã.
Mas como ser mãe muda tudo, eis que me vejo diversas vezes desejando que o tempo pare.

Quando a Taly era um bebezinho e ainda adormecia nos meu braços, tão pequena, tão aconchegada, olhava para aquele rostinho relaxado, bafejando doce no meu rosto e me sentia absolutamente plena. Certa noite, me dei conta de que aquele momento não duraria para sempre e desejei naquele instante que o tempo parasse. Não parou, mas consegui de alguma forma gravar cada detalhe em minha memória.
E assim é. Cada surpresa, cada carinho (e a Taly é muito doce) me fazia desejar jogar fora o calendário, os compromissos e o amanhã.

Mas hoje, quando fui escovar os dentes da pequena, ela olhou para mim, acariciou meu rosto, sorriu meiga como é, me abraçou e deitou nos meus ombros. E eu consegui entender que o tempo não pode parar, pois o amanhã reserva surpresas cada vez mais incríveis e deliciosas.

E o que eu passei a desejar é saber curtir intensamente cada momento com o melhor presente que a vida me reservou.